[Apenã #25] Ciclismo e o Futuro da Mobilidade — JP Amaral

Os benefícios de trazermos as bicicletas para pensarmos na mobilidade que queremos!

Quando você pensa sobre mobilidade nas cidades do futuro, qual a primeira imagem que vem na sua cabeça quando pensa nisso? Com carros voadores ou em túneis em baixo da terra?
Bem, mas antes disso o Ciclismo e todos os benefícios do mesmo, especialmente para a nossa sociedade.

O amanhã que eu quero construir tem que ter bem mais bikes rodando!

Para essa conversa trouxemos o JP Amaral, cofundador da rede Bike Anjo e atualmente coordenador do projeto “Bicicleta nos Planos”. Ele é formado em Gestão Ambiental pela Universidade de São Paulo, trabalha com e pela mobilidade urbana sustentabilidade desde 2008 e é certificado como auditor na metodologia BYPAD — Assessoria em Planejamento para Bicicleta. Ele também é membro da rede Red Bull Amaphiko de empreendedores sociais e do Programa de Líderes do Futuro da Chanceler Alemã pela Fundação Alexander von Humboldt, atuando em cooperação internacional pela bicicleta.

E pra completar ainda mais esse episódio, trouxemos depoimentos de ciclistas do país inteiro e dos mais diversos tipos de pedal!
Ana Polegatch, ciclista profissional; o Werther e o Phill do Beco da Bike; a Rogéria Siqueira Quintão que curte cada pedalada, na sua vida diária e familiar; e Melissa Noguchi, do Pará que começou pedalando em trilhas, passou por cicloviagem e hoje em dia tem a bicicleta como meio de transporte, trazendo a bicicleta para o debate sobre a mobilidade urbana!


Como já é tradicional na preparação para entrevistas, nossos ouvintes participaram da nossa conversa com o JP Amaral nos enviando ótimas perguntas sobre o tema por nossas redes sociais (Twitter e Facebook). Devido ao tempo reduzido durante a ligação, as perguntas foram respondidas por e-mail, e você encontra todas elas aqui:

Phil, do Beco da Bike, por facebook:

  • Você acha que o futuro da mobilidade urbana será sempre focado em meios de transporte ativos(bicicleta, patinetes etc) ou podemos incluir meios mais individualistas como carros e outros tranportes?

“Com certeza a sociedade não reconheceu os meios de transporte ativos como soluções sérias para a mobilidade urbana. Portanto, este processo ainda vai demorar para ser reconhecido como foco no futuro, mas um dia chegaremos lá. E de fato, a solução para o futuro da mobilidade está na integração entre diferentes transportes. Desta forma, os carros e outros transportes vão continuar sendo parte da nossa sociedade e até mesmo da solução, mas sendo usados de outras formas, integralmente.”

  • Carros autônomos são um perigo ou um auxilio a mobilidade urbana?

“Carros autônomos vão demorar para chegar. O Google estima que levará cerca de 10 anos para ter uma tecnologia boa e segura para se usar nas cidades. Temos várias etapas a discutir ainda sobre carros autônomos, em especial sobre a garantia da segurança de pedestres e ciclistas no trânsito. No entanto, para a questão de evitar vários erros humanos no trânsito, como alta velocidade e alcoolismo, maiores fatores de atropelamento, ela poderá aumentar a segurança viária. O que precisamos discutir não é o fato de ser autônomo, mas sim de ser carro. Por que não falamos em transporte público autônomo? Ou em transportes coletivos de menor porte que otimizem o espaço da cidade? Esta é a grande questão a ser combatida no uso exagerado de carros nas cidades.”

  • Uma cidade mais automatizada seria uma cidade que prioriza o fluxo ou melhor convivencia entre as pessoas?

“As soluções urbanas para o trânsito ainda priorizam a fluidez, e não o convívio entre as pessoas. A automatização de fato está olhando para uma melhor fluidez de forma organizada. Este é o cuidado que temos que ter. A tecnologia vai trazer cidades melhores? Ou simplesmente cidades mais ágeis de se deslocar?”

Chicó, por Twitter:

“Não só daria certo como já existe em São Paulo. Temos hoje o sistema de bicicletas compartilhadas Bike Sampa e recentemente foi inaugurado no Terminal Tiradentes um sistema igual ao Bicicletar onde as pessoas podem pernoitar com a bicicleta. Agora São Paulo vai receber bicicletas compartilhadas sem estações (“dockless”), onde as pessoas poderão deixar as bicicletas em qualquer lugar. Estou animado para ver o sistema funcionando e acho que vai ser um sucesso!”

  • Como devemos proceder, a quem e como devemos reclamar de maneira mais efetiva, para que haja menos políticas urbanas e sociais que privilegiem automóveis?

“O Brasil tem a Política Nacional de Mobilidade Urbana desde 2012 que estabelece diretrizes claras de prioridades nas políticas urbanas a favor dos transportes ativo e coletivo. Todo mundo deve conhecer essa lei se quer cobrar na sua prefeitura para medidas mais efetivas. Leve esta lei para a Prefeitura, para a Câmara Municipal e para o Ministério Público para exigir que ela seja efetivada.”

  • Em linhas gerais, o que JP Amaral acredita ser solução de mobilidade urbana para grandes metrópoles, como São Paulo, por exemplo?

“Para grandes metrópoles, a solução está em dois fatores. A primeira é a integração entre os mais diversos meios de transporte. Temos que diversificar ao máximo. Dar opções e alternativas de baixa emissão e custo para as pessoas. Integrar bicicletas com transporte público é uma grande oportunidade para atingir toda uma cidade. O segundo fator é reorganizar o território da cidade. Tornar os empregos mais descentralizados e tornar os centros mais habitados e densos. Isso faz com que as pessoas tenham que percorrer distâncias menores, demandando menos transportes de massa ou carro.”

Marco, por Twitter:

  • Como deve ser e o que acham do aluguel de bicicletas?

“Os sistemas de bicicletas compartilhadas estão revolucionando as cidades do mundo e acho um serviço muito positivo para dar mais acesso à cidade. Para funcionarem bem eles têm que ser bem regulamentados por lei, baseado em estudos de demanda potencial para saber onde as bicicletas devem ser alocadas, além de um bom regulamento para o formato de patrocínio, de modo que o cidadão seja o mais beneficiado.”

  • O que acham de aplicativos como o Moovit?

“O Moovit fez algo que os governos deveria ter feito faz tempo: garantir a informação ao usuário de transporte público. Agora, o governo deve garantir isso sem depender de um aplicativo. Precisamos de informações acessíveis e confiáveis nos pontos de ônibus e na rua, além de sinalização para pedestres e ciclistas circularem na cidade.”

  • Usar veículos movidos a combustíveis fósseis contribui com guerras relacionadas ao petróleo?

“A dependência no petróleo gera uma série de conflitos em cadeia. Não apenas guerras, mas disputas políticas e econômicos no mundo todo. Ainda vamos depender do petróleo por um tempo, mas é possível sim imaginar a geração de energia que não dependa de combustíveis fósseis.”

O perfil do podcast Beco da Bike, por Twitter:

  • O que podemos fazer da forma prática e eficaz para que os crimes de trânsito envolvendo automóveis e ciclistas sejam encarados como crimes e não como acidentes de trânsito? Se uma pessoas mata a outra com uma arma recebe uma pena dura (em alguns casos), mas se um ciclista é morto atropelado por um carro, parece que a pena dó motorista é atenuada…

“Tem que haver uma mudança na lei. Nosso Código de Trânsito Brasileiro não traz a responsabilidade objetiva de motoristas perante pedestres e ciclistas. Responsabilidade objetiva significa que é motoristas são responsáveis, independente da situação, em um atropelamento, tendo este que provar ao contrário. O Código está em fase de revisão e estamos justamente batendo nessa tecla.”

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