[Apenã #027] Impactos da Mineração - Xikrin do Katete

Eu demorei a postar esse episódio do Apenã por aqui. Ele me foi especialmente importante. Ele é uma denuncia. Precisamos estar conscientes do que tem ocorrido com o ambiente e os povos atingidos pelos avanços do capital.

 

Mais sobre pela Agência de Jornalismo Investigativo:
apublica.org/tag/xikrin/

Vídeo sobre o povo Xikrin:
vimeo.com/296004486

Material do prof. Joao Paulo Botelho Vieira Filho, de 2014:
abran.org.br/wp/wp-content/uplo…/08/JULHO-2014.pdf

Relatório do Prof. Reginaldo Sabóia, de 2018

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[Papo Apenã #003] Direito e Conflitos Agrários – Tiago Ferreira

#PapoApenã pelo Pará!

A minha última viagem pelo Pará foi bem intensa. Alguns episódios vão retratar um pouco dela. Começando com um #PapoApenã sobre Direito e Conflitos Agrários, uma das questões fundamentais na região Amazônica.

https://soundcloud.com/apenan/papo-apena-003-direito-e-conflitos-agrarios-tiago-ferreira

O Tiago Ferreira, advogado e mestrando, trabalha no Instituto de Terras do Pará (Iterpa) e conversa conosco sobre os conflitos agrários na Amazônia por uma visão do direito, nos mostrando um pouquinho da tão complicada questão fundiária no Pará.

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Flores silvestres

Foto: Ítalo Lopes da Rocha.

Existem flores em todos os lugares do mundo. Elas não precisam ser delicadas. Elas podem encontrar seu próprio caminho para obter água, luz e nutrientes para florescerem em toda sua magnificência e compartilhar seu delicioso aroma com o quem elas bem entenderem.

Às vezes a natureza dessas belas flores pode ser ferida. Eu vim aqui para lhes contar sobre um episódio interessantíssimo. Ele começa quando o macaco que estava balançando em torno das árvores, de galho em galho, encontrou uma orquídea seca no caminho. Ela era tão bonita, mesmo estando doente, que o macaco teve de ir correndo ao rio para pegar água e hidratá-la um pouco. E foi assim o início de uma forte amizade.

O macaco ia visitar sua amada amiga todos os dias, ele gostava de mostrar a todos a importância que sentia ao trazer água para uma flor tão bonita. Eles conversavam horas, sobre um monte de coisas. O macaco até dizia como sua vida era triste e sem sentido antes de conhecer a flor, mas agora ele poderia se sentir muito mais forte e poderoso. A flor concordava, ela também estava muito triste e doente antes de conhecer o macaco, ela quase sentiu o frio da morte vindo em sua direção!

Mas não demorou muito e a flor não conseguiu aguentar mais tanta água, então ela pediu ao macaco para deixá-la enfrentar o Sol novamente, pois o macaco insistia em a proteger, para que isso não acontecesse. Ouvir esse pedido foi algo muito triste, e até um pouco doloroso, para o macaco. Ele tinha certeza de que sabia o que a flor precisava! Como ele poderia deixar a flor enfrentar o Sol se isso significava que ele precisaria deixá-la sair de sua área de proteção? Mas tudo bem, ele sabia que a vontade da flor deveria ser respeitada.

Foto: autor.

Na manhã seguinte, ele não foi correndo (“proteger” e) conversar com a orquídea, mas fez um esforço para não sufocá-la e foi a procura da abelha para uma conversa. A abelha era conhecida por ser muito esperta e amar as flores! O macaco contou-lhe o que estava acontecendo e quis ouvir a sua opinião.

Ela disse a ele o quão forte a flor poderia ser e quão profunda eram as suas raízes. Ela disse também que a orquídea não iria morrer sem o macaco, mas estava apenas enfrentando o período seco do ano, quando a flor poupava suas forças, para poder novamente florescer forte na próxima estação.

– Não! — disse o macaco — A flor está doente! Eu sou o único a ajudá-la! E eu sou importante por causa disso!

O macaco estava bravo com a abelha, não podia acreditar que ela disse que sua ajuda era irrelevante! Logo o macaco, um dos animais mais inteligentes da redondeza, capaz de manusear um monte de mecanismos, até mesmo para trazer a água do rio para a flor! A abelha não poderia fazer isso! Ela deveria estar com ciúmes! Só pode ser esse o motivo para tantas asneiras! Assim, o macaco foi encontrar a sua querida orquídea.

A flor estava ainda mais bonita, ela quase podia brilhar como o crepúsculo trazendo um céu todo estrelado. O macaco queria dizer a ela como a abelha era estúpida, mas a orquídea falou primeiro:

– Oh, macaco! Veja! O sol foi tão bom para mim! Eu estou florescendo para todos os lados! Acho que era normal, pois parece que durante alguns meses do ano, todos os anos, as orquídeas ficam “doentes” e sem flores. Mas agora eu estou forte novamente!

O macaco estava triste. Ele não podia acreditar, ele tinha tanta certeza de que era graças à sua ajuda que a flor estava se tornando mais forte… Ele ainda não conseguia acreditar que poderia estar errado, a única saída era mostrar a verdade à flor, pois só assim ela o amaria de novo.

Então ele teve uma idéia! Ele iria mostrar à abelha, e todo mundo, que a flor precisava dele!

O primata trouxe um copo de vidro, para concentrar a luz do sol e acelerar o que o Sol estava fazendo com a flor — então sua água seria necessária novamente!

Ele esperou pelo primeiro raio de sol, enquanto a flor ainda estava dormindo.

A orquídea acordou gritando, algo a estava machucando!

– Ooooh! O que é isso? Socorro! Macaco, macaco! Eu preciso de ajuda! O Sol está me machucando!

O macaco ficou feliz em ouvir isso, mas ele disse à flor:

Estou apenas acelerando o que o Sol estava fazendo com você e mostrando que ele não era bom para você, mas eu nunca iria machucá-la.

– O quê? É você? — perguntou a orquídea — Pare, por favor! Isso dói!

E o primata parou, mas não antes de machucar a flor, mesmo sem ter sido essa a sua intenção.

A abelha, que já estava trabalhando ao redor das flores lá perto, voou para ajudar a orquídea. A abelha não podia acreditar no que aconteceu, ela sabia que o macaco amava a flor e não conseguia imaginar que ele pudesse a machucar.

– Oh, macaco, você precisa deixá-la florescer sem se intrometer. Vocês serem são fortes sozinhos e essa força é multiplicada quando estão juntos. Quando as flores compartilham o seu pólen e permitem que eu o transporte, elas crescem felizes e saudáveis. Essa é a mágica de compartilhar com o próximo, mesmo sabendo ser ele um ser independente.

[Apenã #026] Esperanto, língua internacional – Karina Oliveira

Vamos pensar na comunicação que queremos no nosso amanhã e para essa conversa vamos falar sobre uma língua internacional, a língua planejada mais falada no mundo todo, o esperanto.

E para o debate trouxemos a Karina Oliveira, linguista (se formou em Português e Linguística), mestre em adaptação fonológica de novas palavras em esperanto e atualmente doutoranda pela USP, esperantista e vice-presidenta da BEJO (Organização da Juventude Esperantista Brasileira). Entre 2013 e 2014 fez um curso de especialização semipresencial para professores de esperanto na universidade Adam Mickiewicz, em Poznań, na Polônia, e entre 2014 e 2017 frequentou o curso de pós-graduação sobre Interlinguística e Esperantologia pela mesma universidade. Fez parte da diretoria da Associação Paulista de Esperanto entre 2012 e 2016 e participa de congressos e reuniões esperantistas locais e nacionais.

Contamos também com os depoimentos da Manuela, do Dominique e da Jéssica, da Liana, do Marco e da Christine, de Duisburg, Alemanha, que mandou um depoimento em esperanto no final do episódio e a Carol resume em português o que foi dito.

  • Links relacionados ao episódio:

– BEJO
Site: http://bejo.esperanto.org.br/
Twitter:
https://twitter.com/bejoesperanto
Facebook:
https://www.facebook.com/bejoesperanto

– TEJO
Site: https://www.tejo.org/el/
Twitter: https://twitter.com/tejoesperanto
YouTube: https://www.youtube.com/channel/UC1cW8y4NncmbRr6zD5IO8xw
Facebook: https://www.facebook.com/tejoesperanto/

– Amikumu (plataforma de encontro para falantes de diversas línguas):
https://amikumu.com/

– Palestra da Karina sobre Duolingo no Congresso Paulista de Esperanto:
https://youtu.be/V3P5wLO8-RE

– Clube de assinantes da Vinilkosmo (Jen informoj pri la abonklubo):
https://www.vinilkosmo-mp3.com/eo/vinilkosmo-abonklubo/abonoj-abonklubo.html

  • Músicas usadas no episódio:
    (Nome da música – Artista – Produtora /Kantotitolo – Artisto – Eldonejo)

– Kontra krusadanto – Dolchamar – Vinilkosmo
https://www.vinilkosmo-mp3.com/eo/popo-roko-hiphopo-elektronik/dolchamar-98/2-rebela-sono-100.html

– Pasio en katen’ – Supernova – Vinilkosmo
https://www.vinilkosmo-mp3.com/eo/popo-roko-hiphopo-elektronik/supernova-114/supernova-127.html

– Sola? – Persone – Vinilkosmo
https://www.vinilkosmo-mp3.com/eo/popo-roko-hiphopo-elektronik/persone-107/4-sed-estas-ne-109.html

– Superbazaro – Martin & la talpoj – Martin & la talpoj / Vinilkosmo
https://www.vinilkosmo-mp3.com/eo/popo-roko-hiphopo-elektronik/martin-la-talpoj-105/2-superbazaro.html

– Alia aventuro – La Perdita Generacio – Vinilkosmo / LPG
https://www.vinilkosmo-mp3.com/eo/popo-roko-hiphopo-elektronik/la-perdita-generacio-117/3-%C4%89iamen-plu.html

– La ĉielo – Persone – Vinilkosmo
https://www.vinilkosmo-mp3.com/eo/popo-roko-hiphopo-elektronik/persone-107/4-sed-estas-ne-109.html

Junaj idealistoj – Dolchamar – Vinilkosmo
https://www.vinilkosmo-mp3.com/eo/popo-roko-hiphopo-elektronik/dolchamar-98/2-rebela-sono-100.html

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O passado nao é mais como era antigamente

Haroldo Barbosa.
Artigo publicado no Bit Autônomo e no portal O Povo/Blog do Eliomar

“Quem controla o passado, controla o futuro; quem controla o presente, controla o passado…”

A frase acima do livro 1984, de George Orwell, publicado em 1949, é um dos casos em que a vida imita a arte. Desde há muito tempo os poderosos sonham com a possibilidade de controlar a história e mais que isso: a memória, as recordações das pessoas. Hoje com o big data, a globalização e o consumo de informações de forma quase que exclusivamente virtual, isto já está acontecendo. Assim, a história pode ser constantemente reescrita, ter passagens suprimidas ou acrescidas ao bel prazer de um punhado de milionários, governos e corporações. E o valor disto para estes é incomensurável, afinal quem controla o passado…

Quanto vale, por exemplo, para a Wolkswagen apagar da sua história o fato de que usou mão de obra escrava fornecida pelo nazismo em suas fábricas durante a II Guerra Mundial?

O quanto é importante para os donos do jornal Folha de São Paulo fazer esquecer o fato de que apoiaram e financiaram a ditadura militar brasileira iniciada com o golpe de 1964?

O que o pré-candidato à presidência, Jair Bolsonaro, que hoje posa de machão e defende o armamento de todos como parte da solução para a violência, daria para fazer esquecer o momento em que armado, foi assaltado, não reagiu, entregou a moto e a pistola aos dois assaltantes e ainda disse “mesmo armado, me senti indefeso”?

Os casos acima são exemplos bem conhecidos e dos quais restam registros, mas e os milhares, senão milhões de outros que ocorreram, estão ocorrendo e vão ocorrer?

Em seu livro Sociedade do Espetáculo (1968), Guy Debord falando dos regimes totalitários diz que “O projeto, já formulado por Napoleão, de ‘dirigir monarquicamente a energia das recordações’ encontrou a sua concretização total numa manipulação permanente do passado, não só nos significados mas também nos fatos’.

Este ano o governo chinês proibiu mencionar em redes sociais palavras e termos críticos ao Partido Comunista e ao ditador chinês, Xi Jinping. Entre os vários termos, curiosamente estão os livros “1984” e “Revolução dos Bichos”, de Orwell. Se você quiser escrever determinadas palavras, simplesmente as mesmas não serão publicadas e nem buscas feitas pelos termos proibidos.

O desaparecimento, a proibição, a não divulgação e a alteração de conteúdo vem sendo cada vez mais constantes. Há muito que ativistas como Julian Assange, do Wikileaks, denunciam estes fatos. Em seu livro “O Filtro Invisivel”, Eli Pariser chama atenção para a s bolhas criadas pelo Google, Facebook, Amazon e outros, para que seus acessos, resultados de busca e etc. sejam controlados e direcionados.

No livro “Quando O Google encontrou o Wikileaks”, Assange cita o caso de artigos tirados do ar ainda em 2003 pelo jornal inglês Guardian e de sites que denunciaram construtoras e que não encontraram mais servidores que quisessem mantê-los online.

Em agosto de 2017, um dos maiores portais de notícia do Ceará simplesmente sumiu do dia para a noite com uma notícia que tratava da remoção da defesa das dunas do parque do Cocó. E os exemplos são muitos.

Mas o arsenal de manipulação vai além. Donald Trump, presidente norte-americano eleito com base em mentiras, é um dos maiores expoentes da pós-verdade, na qual não importam os fatos reais, o que aconteceu, mas sim no que se acredita. Trump usa largamente as redes sociais para falar diretamente a seus seguidores, evitando a imprensa e atacando jornalistas e veículos que podem contestá-lo.

Muitos outros políticos seguem seu exemplo e buscam dirigir-se diretamente a seu público. O governador do Ceará, Camilo Santana (PT), é um deles. Ele usa seu perfil para anunciar obras e ações, dar broncas em secretários e até para divulgar reajuste salarial dos servidores. Na era da pós-verdade, é mais cômodo fazer monólogo.

Vivemos em uma era na qual ao comprar uma TV já aceitamos ser gravados em casa, temos nossa privacidade violada por aplicativos em computadores e smartphones, somos vigiados por milhares de câmeras nas ruas e em locais privados e até mesmo nosso direito à memória e a história nos está sendo negado.

[Papo Apenã #002] Cicloturismo – Philip Steffen

Papo Apenã – Crossover com Beco da Bike!!

O Philip Steffen, do podcast Beco da Bike, pedalou pela EuroVelo 15 e eu tive o grande prazer de encontrá-lo durante o percurso! Em parceria com a galera do Beco, fizemos um episódio sobre essa experiência.
Eu me juntei ao Phil durante o percurso de Duisburg (Alemanha) até Arnhem (Holanda) e fui picada pelo mosquitinho do cicloturismo!

O Flávio Carvalho também deixou um depoimento sobre sua rica experiência com cicloturismo pelo litoral piauiense! (Depoimento que faltou no ep. Ciclismo e o Futuro da Mobilidade)

Em um momento da minha conversa com o Phil, acabo trocando o rio Ruhr com o rio Reno em um momento – desculpas!

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[Apenã #25] Ciclismo e o Futuro da Mobilidade — JP Amaral

Os benefícios de trazermos as bicicletas para pensarmos na mobilidade que queremos!

Quando você pensa sobre mobilidade nas cidades do futuro, qual a primeira imagem que vem na sua cabeça quando pensa nisso? Com carros voadores ou em túneis em baixo da terra?
Bem, mas antes disso o Ciclismo e todos os benefícios do mesmo, especialmente para a nossa sociedade.

O amanhã que eu quero construir tem que ter bem mais bikes rodando!

Para essa conversa trouxemos o JP Amaral, cofundador da rede Bike Anjo e atualmente coordenador do projeto “Bicicleta nos Planos”. Ele é formado em Gestão Ambiental pela Universidade de São Paulo, trabalha com e pela mobilidade urbana sustentabilidade desde 2008 e é certificado como auditor na metodologia BYPAD — Assessoria em Planejamento para Bicicleta. Ele também é membro da rede Red Bull Amaphiko de empreendedores sociais e do Programa de Líderes do Futuro da Chanceler Alemã pela Fundação Alexander von Humboldt, atuando em cooperação internacional pela bicicleta.

E pra completar ainda mais esse episódio, trouxemos depoimentos de ciclistas do país inteiro e dos mais diversos tipos de pedal!
Ana Polegatch, ciclista profissional; o Werther e o Phill do Beco da Bike; a Rogéria Siqueira Quintão que curte cada pedalada, na sua vida diária e familiar; e Melissa Noguchi, do Pará que começou pedalando em trilhas, passou por cicloviagem e hoje em dia tem a bicicleta como meio de transporte, trazendo a bicicleta para o debate sobre a mobilidade urbana!


Como já é tradicional na preparação para entrevistas, nossos ouvintes participaram da nossa conversa com o JP Amaral nos enviando ótimas perguntas sobre o tema por nossas redes sociais (Twitter e Facebook). Devido ao tempo reduzido durante a ligação, as perguntas foram respondidas por e-mail, e você encontra todas elas aqui:

Phil, do Beco da Bike, por facebook:

  • Você acha que o futuro da mobilidade urbana será sempre focado em meios de transporte ativos(bicicleta, patinetes etc) ou podemos incluir meios mais individualistas como carros e outros tranportes?

“Com certeza a sociedade não reconheceu os meios de transporte ativos como soluções sérias para a mobilidade urbana. Portanto, este processo ainda vai demorar para ser reconhecido como foco no futuro, mas um dia chegaremos lá. E de fato, a solução para o futuro da mobilidade está na integração entre diferentes transportes. Desta forma, os carros e outros transportes vão continuar sendo parte da nossa sociedade e até mesmo da solução, mas sendo usados de outras formas, integralmente.”

  • Carros autônomos são um perigo ou um auxilio a mobilidade urbana?

“Carros autônomos vão demorar para chegar. O Google estima que levará cerca de 10 anos para ter uma tecnologia boa e segura para se usar nas cidades. Temos várias etapas a discutir ainda sobre carros autônomos, em especial sobre a garantia da segurança de pedestres e ciclistas no trânsito. No entanto, para a questão de evitar vários erros humanos no trânsito, como alta velocidade e alcoolismo, maiores fatores de atropelamento, ela poderá aumentar a segurança viária. O que precisamos discutir não é o fato de ser autônomo, mas sim de ser carro. Por que não falamos em transporte público autônomo? Ou em transportes coletivos de menor porte que otimizem o espaço da cidade? Esta é a grande questão a ser combatida no uso exagerado de carros nas cidades.”

  • Uma cidade mais automatizada seria uma cidade que prioriza o fluxo ou melhor convivencia entre as pessoas?

“As soluções urbanas para o trânsito ainda priorizam a fluidez, e não o convívio entre as pessoas. A automatização de fato está olhando para uma melhor fluidez de forma organizada. Este é o cuidado que temos que ter. A tecnologia vai trazer cidades melhores? Ou simplesmente cidades mais ágeis de se deslocar?”

Chicó, por Twitter:

“Não só daria certo como já existe em São Paulo. Temos hoje o sistema de bicicletas compartilhadas Bike Sampa e recentemente foi inaugurado no Terminal Tiradentes um sistema igual ao Bicicletar onde as pessoas podem pernoitar com a bicicleta. Agora São Paulo vai receber bicicletas compartilhadas sem estações (“dockless”), onde as pessoas poderão deixar as bicicletas em qualquer lugar. Estou animado para ver o sistema funcionando e acho que vai ser um sucesso!”

  • Como devemos proceder, a quem e como devemos reclamar de maneira mais efetiva, para que haja menos políticas urbanas e sociais que privilegiem automóveis?

“O Brasil tem a Política Nacional de Mobilidade Urbana desde 2012 que estabelece diretrizes claras de prioridades nas políticas urbanas a favor dos transportes ativo e coletivo. Todo mundo deve conhecer essa lei se quer cobrar na sua prefeitura para medidas mais efetivas. Leve esta lei para a Prefeitura, para a Câmara Municipal e para o Ministério Público para exigir que ela seja efetivada.”

  • Em linhas gerais, o que JP Amaral acredita ser solução de mobilidade urbana para grandes metrópoles, como São Paulo, por exemplo?

“Para grandes metrópoles, a solução está em dois fatores. A primeira é a integração entre os mais diversos meios de transporte. Temos que diversificar ao máximo. Dar opções e alternativas de baixa emissão e custo para as pessoas. Integrar bicicletas com transporte público é uma grande oportunidade para atingir toda uma cidade. O segundo fator é reorganizar o território da cidade. Tornar os empregos mais descentralizados e tornar os centros mais habitados e densos. Isso faz com que as pessoas tenham que percorrer distâncias menores, demandando menos transportes de massa ou carro.”

Marco, por Twitter:

  • Como deve ser e o que acham do aluguel de bicicletas?

“Os sistemas de bicicletas compartilhadas estão revolucionando as cidades do mundo e acho um serviço muito positivo para dar mais acesso à cidade. Para funcionarem bem eles têm que ser bem regulamentados por lei, baseado em estudos de demanda potencial para saber onde as bicicletas devem ser alocadas, além de um bom regulamento para o formato de patrocínio, de modo que o cidadão seja o mais beneficiado.”

  • O que acham de aplicativos como o Moovit?

“O Moovit fez algo que os governos deveria ter feito faz tempo: garantir a informação ao usuário de transporte público. Agora, o governo deve garantir isso sem depender de um aplicativo. Precisamos de informações acessíveis e confiáveis nos pontos de ônibus e na rua, além de sinalização para pedestres e ciclistas circularem na cidade.”

  • Usar veículos movidos a combustíveis fósseis contribui com guerras relacionadas ao petróleo?

“A dependência no petróleo gera uma série de conflitos em cadeia. Não apenas guerras, mas disputas políticas e econômicos no mundo todo. Ainda vamos depender do petróleo por um tempo, mas é possível sim imaginar a geração de energia que não dependa de combustíveis fósseis.”

O perfil do podcast Beco da Bike, por Twitter:

  • O que podemos fazer da forma prática e eficaz para que os crimes de trânsito envolvendo automóveis e ciclistas sejam encarados como crimes e não como acidentes de trânsito? Se uma pessoas mata a outra com uma arma recebe uma pena dura (em alguns casos), mas se um ciclista é morto atropelado por um carro, parece que a pena dó motorista é atenuada…

“Tem que haver uma mudança na lei. Nosso Código de Trânsito Brasileiro não traz a responsabilidade objetiva de motoristas perante pedestres e ciclistas. Responsabilidade objetiva significa que é motoristas são responsáveis, independente da situação, em um atropelamento, tendo este que provar ao contrário. O Código está em fase de revisão e estamos justamente batendo nessa tecla.”

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[Apenã #008] Harvard, Vale do Silício, Empreendedorismo e Volta pra casa – Deborah Alves

Há poucas semanas tive o prazer enorme de conversar com a Deborah Alves. A conheci em um evento da BRASA, a BrazUSC 2017, onde ela foi inclusive homenageada. A Deborah esteve a frente de alguns movimentos de brasileiros no exterior que cresceram bastante, como o BSCUE e a BRASA, envolvidos com o fortalecimento dos grupos de brasileiros fora do Brasil, com interesse em fazer impacto no país de origem.

A Déborah estudou Ciência da Computação em Harvard, participou da IMO, Olimpíadas Mundiais de Matemática, (como inclusive falou pro G1), trabalhou no Vale do Silício e voltou para o Brasil para empreender. Ou seja, tem uma experiência incrível!

Na Brazil Conference, evento que contou com a participação de grandes nomes como Lemann, Haddad, Moro e Rousseff, na Universidade de Harvard. Arquivo pessoal.

Claro, ela contou pra gente um pouco de todas essas experiências, como foi estudar em Harvard, o que ela mais destaca de lá; como foi trabalhar no Vale do Silício, o ambiente tão inovador e referência mundial para todos os empreendedores; como tem sido o novo desafio, o ambiente da tecnologia em sp, os prós/contras do empreendedorismo e muito mais!

Com a galera da Quora, empresa do Vale do Silício onde ela trabalhou.

É sempre ótimo conversar com uma pessoa como a Deborah, que tem tanto a dividir com a gente e parecem tão abertas para esse compartilhar. Só posso recomendar ouvirem com muito carinho essa conversa com essa pessoa maravilhosa! ❤

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[#007] Cuidado com o Neocolonialismo — Tereza Prado

Eu já estava ansiosa para dividir essa entrevista. E nem acredito que demorei tanto a postar sobre ela por aqui. Parece ser uma daquelas coisas que você sempre quer que fazer perfeitamente e vai deixando pra depois — é muito raro termos tempo para fazer o texto perfeito. — Por isso, vou prometer textos mais elaborados para falar sobre os temas (que eu considero bem complexos) abordados nessa conversa.

A complexidade de cada local é contrária a nossa vontade de simplificar e de achar que “a grama do vizinho é mais verde”. A verdade é que cada região tem o que nos ensinar e o que aprender com a gente. Nessa entrevista, com uma psicóloga brasileira que mora em Sarre, na Alemanha, conversamos um pouco sobre a vida por aqui, (acho que a maioria de vocês sabem que estou morando na área do Ruhr), inclusive sobre traumas da guerra, questões de gênero, maternidade, alcoolismo, etc. E (importante!) lembramos o quanto é delicado pensarmos que a cultura de países desenvolvidos é melhor que a nossa.

É bom lembrar que não estamos apontando uma região “mais” ou “menos” machista, mas citamos alguns dados e vemos que o machismo pode se apresentar de várias formas.

Alguns links relacionados:
Partidos proibidos na Alemanha (em alemão): de.wikipedia.org/wiki/Parteiverbot
Relatório sobre a população alemã (em alemão): www.destatis.de/DE/Publikationen/…b=publicationFile
Relatório do ILO (International Labour Organization, em inglês): www.ilo.org/gender/Informationr…/lang–en/index.htm
Texto sobre questões de gênero na França: cientistasfeministas.wordpress.com/2017/05…ndente/

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[#006] Você não sabe o tamanho do seu Potencial!!! — Guilherme Salvador

Escola de Férias.

Nesse episódio do Apenã eu tive uma conversa que me tocou bastante. O Guilherme Salvador é um amigo que admiro muito e que tem feito algo muito importante: colocar seus valores em prática. A superação de problemas de saúde pode ser parte do desenvolvimento pessoal e, no caso dele, também proporcionou mais reflexão sobre a sociedade e o impulsionou a ser instrumento de impacto social positivo.

Crescendo em uma zona rural, é bem fácil termos dúvidas a respeito das possibilidades de crescimento a longo prazo e ignorarmos a existência de algumas oportunidades, pela simples falta de conhecimento a respeito delas. É fácil nos sentirmos impotentes e no geral tendemos a nos distanciar da capacidade de sermos agentes de mudança. Quando estamos no interior, é quase senso comum que o novo e interessante só vem da capital, muitas vezes somente na capital maior e mais distante, além das fronteiras do que conhecemos. A verdade é que essa é a receita para perdermos muito potencial pelo caminho (e que devemos questionar o senso comum).

Vamos perguntar: “Se não aqui, onde? Se não eu, quem?”

Mais uma vez me lembro da liberdade positiva e da liberdade negativa, pois o simples conhecimento a respeito das portas que estão ao nosso redor nos proporciona uma nova atitude a respeito do caminho a ser tomado. Encontrar as possibilidades que estão ao nosso redor é mais difícil que enxergar as portas presentes em um longo e escuro corredor. Nos depararmos com pessoas que nos auxiliam a iluminar esse caminho é sempre algo mágico — você já se perguntou como você pode ser essa pessoa para alguém?

Tive o maior prazer de receber o nosso mais novo colaborador do Apenã nessa conversa que também abordou assuntos como cultura, intercambio, vida na Holanda, etc.

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